nocturne.

entre encontros e desencontros, línguas adversas e significados já em ordem ao dicionário. estes não argumentos e a tendência das ruas noturnas de possuírem charme naturalmente em concordância com o breu, de uma escuridão declarada, já por hábito, não captada por câmera, não há abertura da lente que permita a entrada natural da luz, estes que os olhos complementam por dedução imaginada. esta linguagem da imagem que se forma no instante. esta escuridão trajada, que carregou quilômetros e distâncias de sobrenomes lançados sobre um sussurro.

vozes são fortes, cordas vocais vibram ondas que ultrapassam qualquer barreira física em sua matéria. e por declarar, músicas surgem do silêncio,  do silêncio e do escuro, e as vezes nos escapa, aquilo que estava bem ali a frente, que por explosão e choque, já declarada a decomposição.

Ah, e se por onde há de sentir. Vozes e tons. Utopia de tempos modernos hoje tão declarados, todos os áudios que por determinação enviamos nosso tom.

Por que às vezes a música escapa da música e é apenas o dedilhar, as horas, os aplausos, as vozes compostas. E foge aquilo que por brilho torna noturno toda a imagem, este veludo breu, que compõem o sentir. Este despedaço da decomposição. Esse “des” que fica entre o estar e o ir.

E ao instante posta aqui, neste composto de palavras unidas, tornou-se, apenas um prego preso a sua natureza real, mas por insistência ao que poderia ter mais. Mesmo porquê ninguém toca CHOPIN como ele. E o Nocturne e seus prelúdios e números, sempre vão ser a vã esperança de que lá estará o compositor inicial.

Noites são penetrantes. Um buraco para o centro de si próprio ao desafio de caminhar entre as ruas escuras e com fraca iluminação, como sombras que surgem por luzes rarefeitas. A não existência de luz – faz imagem inigualável.

As horas passam sinceramente, pausadas entre a compreensão de uma dedilhada mais forte, aqui e ali, por interpretação de outro pianista que fura com determinação cada passo a ser dado, em seguida, desses em tantos.

A música que parece escapar pelo bolso, correr a tortura por vias inteiras, entrelaçando janelas iluminadas, frestas e rachaduras. Ao alcançar a ansiedade dos destemidos, a música que foge de si, que escapa-te o controle, toma-te o encontro. Foge com a tendência do teu olhar sobre o céu.

Fica presa no pulso, no tempo do relógio, na célula. As células vibram juntas, todas iguais, daquela por estar a morrer, e a que no último ato, em seu prelúdio, desencanta, o desnacimento de outras mais, curva-te a coluna.

Onde irá agarrar neste campo de não-matéria? O que por ar te leva a crer que há mais do que isto que está vendo? Me escapa a força da palavra que desvela assim só, sua fraqueza contemporânea.

Esta “porta” de interações por declarar todo o seu desgaste, não foge como a música, por ser estática. Mas a de se reconhecer, que nesta “pausa”, tudo é possível, faz-se a música, em pausa, entre ruído e silêncio.

O som é em composição existência e não existência. A esta rua, este breu, navegado pelas curvas e mistério do balançar das árvores, estas árvores fatigadas pelo excesso da poeira, por suas plantas carregadas de densa poluição. E suas curvas que balançam hoje de forma mais pesada, que comprimem, toda ação natural do balançar, por outra nova sintonia de dança.

Esta dança que aos passos, todos dão, no cotidiano semanal.  É a mesma dança que os calendários dão por anunciar. A dança do padeiro que oferece pães frescos logo pela manhã. A dança dos empregados, e suas malas, bagagens soltas, e roupas ordenadas.

Esta rotina que a dança emprega. A mesma dança que hoje a noite, por silêncio e breu, pausadamente, torna-se ensaiada, de todas as noites, a noite em que Nocturne colocou a existir, por essência, um pouco do que lhe é vago.

Este ritmo. Este ruído. Esta noite. Este breu. Escapou-me a música, a música que por vez, nunca existiu neste plano. estando por em tantos, deixo, por desejo e algúria, ser por breve instante o que já me escapou quando percebi.

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