não quero abrir nenhum livro

Minha dificuldade em abrir algum livro é tamanha que compro tantos livros, para começar ler bem depois algumas páginas, e desisto. Tantas linhas e páginas para uma história às vezes tão boa que não seria suficiente, ou péssima, que o que importa no livro são meia dúzia de palavras.

não quero abrir nenhum livro. porque a vida está acontecendo ali fora. fora desse computador, desse blog, da minha serie favorita, da minha playlist selecionada, do meu celular com 3g ligado, das minhas redes sociais. a vida tá acontecendo lá fora.

naquele lugar onde estranhos se esbarram e não se percebem. onde olhares não são trocados porque todos estão com a cabeça baixa trocando alguns diálogos no whats app ou fazendo a sua melhor performance no candysuch, ou qualquer coisa assim.

não é uma crítica, não quero ser tão clichê de dizer que tudo isso é superficial e vago. eu faço parte de tudo isso, metade de mim ou mais é a representação que eu tenho, o olhar do outro, e o que isso muda na realidade? não muda muita coisa, além da própria interação.

talvez, o ato presencial não seja assim tão importante, a ilusão ela é muito mais poderosa do que a própria realidade. criar expectativas o torna mais feliz por mais tempo, do  que apenas ter  algumas vontades realizadas. viver todos os momentos presentes é gostoso, é real, faz parte do sentir. mas tudo o que se cria até esse momento, vem da ilusão e projeção que jogamos nesses lugares compartilhados.

somos fisgados pelas nossas próprias vontades e caímos pelos nossos próprios tropeços. porque é um diálogo de você para você mesmo, é uma imagem sua que está em constante mudança – através do olhar do outro. e sempre foi assim, mesmo antes das redes sociais.

nada é sólido e nunca foi. essas coisas de relacionamentos, de eternizar coisas e momentos, é parte do comportamento humano de não querer aceitar a mortalidade. isso é tão massante como a primeira aula de filosofia que todos nós já tivemos.

eu acredito na espontaneidade e autenticidade. criar elos para mim, vai para o fato de você conseguir ser totalmente cúmplice à alguém. é como uma sintonia de duas vias, bate em você, volta na pessoa, e mantém um certo sentido disso tudo. nos deixa vagando nessa ilusão da vida.

acreditar que nossa existência está fazendo algum certo sentido. ou resolver a problemática da  existência, vivendo e esquecendo da sua importância. Porque toda a nossa importância é apenas uma questão de mostrarmos que estamos vivos. E estar vivo, requer a presença do outro.

Sem outro, o que há na vida? Quem sou eu, sem o olhar do outro?

Um comentário sobre “não quero abrir nenhum livro

  1. eu gostei desse post. Eu vejo que vc tem vários livros, e acreditava que vc nao lia todos, comprava e desistia…

    responde pra mim…

    se tem algo gostaria de fazer para melhorar a sua vida, sair da rotina/ilusao/superficial ?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s