Nota

8

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quero comprar meu passado para fazer uma exposição nesses museus de arte contemporânea, lá eles vão me reconhecer, como uma Abramovic viciada em dores reais. como post it em excesso na tela do computador, acordei assim, cheia de compromisso diário.

já me chamaram para a meeting do ceo master price cheio de grana. eles realmente querem vender o meu projeto, é totalmente rentável, amor hoje vende. história de fracassados mais ainda.

já escrevi roteiro para filme. quero que Almodóvar seja o diretor, com trilha sonora da björk. a história da garota que virou urso polar. que veio das montanhas mais altas, desceu para o campo, queria um copo de chá.

comprou um moleskine, uma caneta sakura número 1, agora ela vai escrever de frente para a vida. vai lembrar de sua história de bonecas russas bêbadas de vodka, fazendo sexo com o bonequinho de heroi do primo.

desejo nasce quando criança, já dizia freud, oh lá. aquele livro sobre sonhos, fica incorporando minhas ideias. vamos para jung, ok. oh meus símbolos, entendam essa, acordei com uma sensação triangular de que tudo o que eu precisava era só mais um copo de café.

manhã, sol. intensidade das cores interferidas pelo ato espontâneo da escrita. vou deixar, vou deixar o piloto automático em uma paisagem mais tentadora. gosto de cachoeira, o barulho, ruído natural do recolhimento necessário, cobras escondidas debaixo da pedra, pássaros batendo asas, sombreando minha testa.

seus dedos são longos, nossas bocas fazem desenhos geométricos quando falam. eu não ouço nenhuma palavra, me escondo nessa distancia que há entre o que eu não consigo ouvir e o que não vejo, onde eu te toco.

aquela música cheia de pausas. rec. meu gravador fazendo balanço com o ruído de toda essa natureza. camisetas largas molhadas debaixo da água. frio, peles arrepiadas. ninguém controla nossos instintos humanos.

intuição do tamanho do meu nariz. botões sendo descobertos, abertos, preenchidos por outras texturas, cores, cheiros, versos, músicas cortadas, pernas trêmulas, dominação. rádio fm, 18 horas da tarde. preciso de mais café.

voltei para o escritório, onde o sol invade todo o ambiente retangular, bate de frente com minha cara. é só essa sensação que eu quero para hoje. por um longo tempo, eu permaneci em silêncio.

não preciso lembrar que já encontrei tantos idiotas. voltando na exposição, essa sim, venderia para o museu da escultura de londres, idiotas em diversos tamanhos e espessuras. a exposição já tem data marcada.

volto para você de novo. meus textos são mais seus do que meu. quem é você? cheiro de café. não precisava ter feito. obrigada. a simplicidade está no amor das coisas. outras pessoas falariam em outra ordem.

prefiro você e a nossa desordem.

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