Madame Bovary faz as malas

Madame Bovary cansou de ser analisada, de ter os seus textos interpretados, de acharem que ela está clareando ou escurecendo e que em suas palavras há um direcionamento dos seus pensamentos. Ano passado, Madame B., olhava seus álbuns com uma sensação de uma lembrança mais atual. Imediata. Uma sensação de vazio que na verdade nunca lhe escapou.

Tentou livros, filmes, frases inteiras, textos soltos, pessoas interessantes, histórias remendadas, sem acabamento, suas paredes, seus limites, seus passos sobre o mundo. Ela passou por todo o experimentalismo necessário. Navegou mares escuros. Quase se afogou. Guarda até hoje a sensação de vida que é se lançar sem medo.

Bovary cansou de promessas. Cansou de ser insuficiente. Ela precisa respirar novos ares. a sua inconstância assusta. Sua espontaneidade já levou em tantos lugares. Hoje ela consegue abrir os próprios olhos e estufar o peito com orgulho de quem não precisa de aprovação de ninguém, não precisa de direcionamentos, nem outros sonhos.

Ela sabe muito bem o que quer. Ela é intensa. Ela se perde. Hoje ela começa a sua viagem pelo mundo. Essa viagem que ela sempre sonhou. Hoje ela desenha em seu caderno seus planos futuros, rabisca com força, a palavra: encontrar.

3 comentários sobre “Madame Bovary faz as malas

  1. Você escreve como se não fosse você na história, escreve como se fosse os pensamentos de uma personagem, a verdade é que essa Madame Bovary é exatamente como você, ou seja Madame Bovary é o seu Codinome.

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