desconstruir.

Na minha frente existem duas janelas brancas. E abertas para que eu pense em algo, uma delas é essa página do computador, branca, com o cursor piscando, a outra é a janela do meu quarto que transfere os detalhes de um dia cinza, com chuva, nublado, sem estrelas no céu, ainda não escureceu.

Muitas vezes podemos estar enganados, acho que só percebemos isso, quando um novo pensamento nasce, como uma transformação, ou um ponto de vista adotado depois de muita cegueira. Já tive muitos momentos em que não consegui ver as coisas como elas realmente eram.

Acho que isso me levou a sentir mais dores. Já projetei muita coisa em muita gente, por que sempre faço isso? Não entendo como consigo jogar expectativas nas pessoas, isso não é justo, da mesma maneira que quebramos nossos ossos quando nos lançamos de prédios muito altos, estou pronta, sobrevivi.

Não gosto de pensar em retrocessos, mas a minha dor é atual. Sempre vou me colocar nesse lugar de quem questiona até mesmo a própria dor? Não me permito o sofrimento necessário para a evolução, será a evolução, um processo de endurecimento racional?

Me encontro nesses corredores de certezas duvidosas, ando nesse lugar mal iluminado em busca de uma civilização que possa me mostrar que o moralismo barato já não existe, que possam me mostrar que já existem coisas mais importantes do que apenas aquilo que pensamos.

Às vezes o calabouço é a melhor maneira de fugir da civilização. Já encontrei tantas pessoas por lá, encantadas com o fato de não terem que ser outras pessoas além delas mesmas. Quem irá julgá-las? São fracas porque preferiram a escuridão? Elas estão se escondendo daquele mundo que elas não acreditam mais.

Eu estou procurando a saída. Estava fugindo daquela cidade construída por muita moral europeia católica. Aquilo não era para mim, não me sentia dentro de nada, como se estivesse fora, não por escolha, mas eu não pertencia aquele mundo.

Vim parar aqui, mas não pertenço a esse lugar. Não vejo nessas pessoas a vontade de buscar algo a mais. Eu sinto essa necessidade desde quando abri os olhos. Depois que acordei daquele desmaio. Não me lembro de muita coisa, mas sei que me armaram essa.

Tenho que encontrar alguma saída, dentro desses túneis, e continuo pensando. Meu pensamento foi o único que não me abandonou. Talvez, eu deva dar algum crédito a ele, afinal, é o único que me mantém na sanidade.

Não quero ser quem nem aqueles porcos, comendo restos humanos, jogados no chão, não quero achar um mundo de significados quando encontrar a civilização. Não consigo acreditar neles. Até as minhas sensações estão paralisadas, meu instinto é o único que me mantém vivo. E a natureza, a natureza é dos mais fortes.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s