Nossas emoções são frágeis.

A emoção que o corpo habita não é de um filme de Almodóvar, com trilha sonora de bolero, ou Björk retorcida. Pode ser leve, um fogo subindo calmo, a atenção, curiosidade calculada. Os prédios da cidade estão sujos e são altos, o barulho do trânsito, carros aglomerados, não me surpreende tanto assim. Preciso do sol. Acredito em culturas antigas. E acordo todo dia de um sonho recordado. Talvez, Cândido Portinari esteja certo, todos aqueles fragmentos, aqueles segundos de emoções retratadas, o caos, o organizado, a dualidade, seja mesmo um duelo. Talvez esse duelo, esteja dentro de nós, eu não sei o que pensar sobre isso. Mas para mim qualquer julgamento maniqueísta é frágil demais e está fadado a cegueira. Eu gosto de história e não confio nessa versão contada pelos vencedores, não confio em vinganças, nem em lição de moral. Podem parecer simples, mas são julgadoras. Como uma lei sendo estabelecida. Será que a liberdade dos nossos pensamentos nos deixam desolados? Será que precisamos de algo para comprovar a nossa existência? Depois do parto, o choro, e o susto de sentir o choque, nosso cérebro radiando vida, batimentos cardíacos controlados, pulsação. A vida é um instante, e eu não tenho convicções formadas, mas acredito nas linhas não escritas, escondidas no porão da história. Para mim, a lucidez maior é o conhecimento. Mas não estou falando de conceito, e sim, da compreensão de que somos pequenos demais para declarar verdades. Como opiniões, e cores do mundo contornado por conceitos, eu sobrevivo.

Não sei o certo onde estou indo. Pode ser que você possa me encontrar no topo de uma montanha, ou dentro de um escritório, desperdiçando algum tempo da minha vida, e escrevendo histórias como essa. Pode ser que eu seja aquela pessoa que vai te trazer um pouco de paz, ou o contrário. Eu vejo você pela janela do escritório, desenhando um quadro.

Nesse quadro eu vejo cores, eu vejo fragmentos, me reconheço. Como você poderia expressar a minha natureza? E reconhecer o meu esquecimento? A porta era verde, as janelas com vidros coloridos. Ele era alguém bem próximo. Nós sabíamos que um dia íamos nos reencontrar. Mas estávamos ocupados resolvendo nossas vidas. A música de violino entrava pela porta de trás. O som ambiente não importava, o único som, que consegui ouvir, foi a voz dele dizendo que não tinha mais tempo para se enganar. E o senhor logo atrás, em outra conversa, após tragar um charuto, encostou a mão no copo e após encostar nos lábios, bateu o copo na mesa dizendo: Nossas emoções são frágeis.

2 comentários sobre “Nossas emoções são frágeis.

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