Soneto da Grinalda de Rosas.

Essa grinalda! Pronto! Estou morrendo!

Tece depressa! Canta! Geme! Canta!

Que a sombra me enturva a garganta

e outra vez e mil a luz de janeiro.

Entre o que me queres e te quero,

ar das estrelas e tremor de planta,

espessura de anêmonas levanta

com escuro gemer um ano inteiro.

Goza a fresca paisagem da minha ferida,

Quebra juncos e arroios delicados.

Bebe com coxa de mel sangue vertido.

Porém, pronto! Que unidos, enlaçados,

boca rota de amor e alma mordida,

o tempo nos encontre destroçados.

Sonetos do amor obscuro e divã do Tamarit, Frederico García Lorca.

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