Semáforo.

Sentiu um horror que podia competir com aquele que havia sentido naquela madrugada amazônica, às margens do Pendencia, ao divisar, sobre um berço enegrecido de cocos de rato, e desorganizado esqueleto de sua irmã. O semáforo estava verde, os carros de trás buzinavam. Com dedos tontos, tirou a carteira, pagou o produto licencioso, partiu e, sentindo que ia bater – o volante lhe escapava das mãos, o carro se desviava –, freou e estacionou junto à calçada.

Tia Júlia e o Escrevinhador, Mario Vargas Llosa.

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