sobre amores e histórias inacabadas
<mais uma vez ouso declarar que nada sei onde me perdi da última vez quando comecei a ter confusões sobre o que eu sentia a determinadas pessoas. sim no plural. dessa maneira estranha de declarar de como é possível alguém se perder em pessoas e não ter juízo de si ao avaliar o que é o sentimento e seus amores e minhas histórias e suas histórias sem fim. foi por aí que eu comecei a deduzir que além da impulsividade que estou sendo levada ultimamente, me sobrou o contra argumento como salvação de um senso comum criado para escapar de todas as minhas vontades. e se essas vontades pertinentes, insistem a existência de uma descontrolada sentimental. me torno vitimada. escapo mais uma vez com outros argumentos. e é por aí. vou fechar as incertezas. vou escapar um pouco de tudo isso. vou respirar e me agarrar no que possa trazer paz. eu pedi paz. eu quero ser íntegra. quero acreditar. quero algo válido para garantir na minha existência, algo maior do que a própria vida, algo que vale a pena viver.>
somewhere.
josé de sousa saramago salvou minha vida de novo. obrigada.
A palavra de que eu gosto mais é não. Chega sempre um momento na nossa vida em que é necessário dizer não. O não é a única coisa efectivamente transformadora, que nega o status quo. Aquilo que é tende sempre a instalar-se, a beneficiar injustamente de um estatuto de autoridade. É o momento em que é necessário dizer não. A fatalidade do não – ou a nossa própria fatalidade – é que não há nenhum não que não se converta em sim. Ele é absorvido e temos que viver mais um tempo com o sim. José Saramago.
“Há doenças piores que as doenças, Há dores que não doem, nem na alma Mas que são dolorosas mais que as outras. Há angústias sonhadas mais reais Que as que a vida nos traz, há sensações Sentidas só com imaginá-las Que são mais nossas do que a própria vida. Há tanta cousa que, sem existir, Existe, existe demoradamente, E demoradamente é nossa e nós… Por sobre o verdor turvo do amplo rio Os circunflexos brancos das gaivotas… Por sobre a alma o adejar inútil Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo. Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.” Fernando Pessoa.
Foi escrito em 19 de novembro de 1935, onze dias antes de Pessoa morrer. E esquecido ficou, não-catalogado, durante 30 anos, até ser publicado em 1965.
I could find my way back.
<minha noite de natal. é por aí. encostando em meus argumentos. pendurando minhas fotos. silêncio de um quarto escuro. quando nos encontramos sozinhos. não somos mais do que rostos pensativos na escuridão. ele se fechou em um quarto escuro e agora não há saída. as luzes desfocadas da cidade me lembram qualquer poesia que me colhe da chuva. quando sentimos que nossos abraços já não serão mais os mesmos. ficamos um pouco mais duros. com olhares fortes em horizonte construído. e por uma questão de tempo que nos transformamos em workaholic. longe de qualquer definição. essa música não me faz lembrar isso e nem sei por qual motivo vim parar por aqui, nessas linhas confusas da minha cabeça pouco racional. talvez, tenha tentado lembrar um pouco de como eu era. e que havia me esquecido em algum lugar quando era muito mais simples. acordar e ver tudo em sua normalidade. a lua hoje é tão misteriosa. é tão bonita. como eu gostaria de poder sentir um abraço. como eu gostaria de poder ter em meus braços o calor de um desejo sem começo. todos estão dormindo mais uma vez, já era hora e eu deveria de estar. assim como qualquer um, pensando que tenho mais um dia pela frente. destacando meus pontos em cada situação. mas o clima não é esse. aqui ninguém está em clima de festa, mas não estamos em completo desânimo, é bem nostálgico pensar em possibilidades tão atrativas. eu repito, que a minha vontade mesmo era de poder mergulhar em um mar bem gelado. eu gostaria de jogar todos os meus limites e subir na superfície como uma versão renovada de mim. no ponto ideal de poder sentir a força do que seria mesmo de fato, a liberdade. as luzes desfocadas me lembram você. me lembram também que a vida corre. eu sinto a velocidade atravessando nossas linhas. nossos olhos são verdadeiros, e somos isso. o coração ainda pulsa. e a vontade de viver ansiosa transfere todas as palavras numa junção só. boa noite essa é a palavra que deveria surgir por aqui, de fato, surgiu. como não há mais ninguém. que a noite seja confortável para quem busca esse conforto, ansiosa para quem precisa disso, romântica para aquecer, fria para acordar, tanto faz. ninguém vai entrar por essa porta para cobrir você, mas você sabe que isso não importa. como gostaríamos que as coisas fossem mais simples, como a intensidade das cores que buscam seu próprio equilíbrio para formarem novas cores. mas não são.>
left me blind.
<um sinal bem de leve podemos tentar interpretar. fingimos não saber então. como aqueles sorrisos gostosos que escapam no final da tarde. olhares partilhados por coincidência comum. estamos aí quase virando o ano. e tudo é tão categoricamente lembrado nessas fases. me sinto bem. isso vale a pena no final da noite. saber que no começo do dia uma sensação pode surgir. vamos lançando nossos bons dias, sem pudor. vou ser levada em todas as ondas daquele mar antigo. é como se estivesse distante e me afogasse de propósito. as luzes da cidade hoje estão mais iluminadas. está chovendo em São Paulo. isso me faz bem também. me faz bem sentir algumas sensações novas. amanhã é quase final de dezembro. o que dizer? um ano tão diferente em minha vida. e deixo me transformar pelas palavras de quem quer dizer, mas não diz. pela sensação de resistência maior. talvez uma leve serenidade. peço para findar para os prazeres de outro ano, o sossego de quem repousa no colo de quem consegue trazer a paz. me faz bem pensar assim, espero que isso dure.>
Leave my body.
<i’m gonna be released from behind these lines and i don’t care whether. i live or die and i’m losing blood. i’m gonna leave my bones and i don’t want your heart it leaves me cold. i don’t want your future. i don’t need your past. one grand moment is all i ask. i’m gonna leave my body moving up to higher ground. i’m gonna lose my mind but history pulling me down. said i’m gonna leave my body moving up to highter ground. i don’t need a husband. don’t need no wife. and don’t need the day. i don’t need the night and i don’t need the birds let them fly away. and i don’t want the clouds. they never seem to stay. i don’t want no future. i don’t need no past. one grand moment is all i ask.>
!
<nada melhor e mais inseguro do que a incerteza do amanhã. essa segurança criada semana após semana. precisamos realmente pensar? é como se em minha frente nascesse um Tyler Durden e me apontasse todas as minhas falhas. todas as minhas conquistas. e o que de fato faria alguma diferença? é difícil não padronizar alguns pensamentos e se manter convicta por outros.>
Walls gone over the sea but not for me.
(…)
maternal.
<ela perdeu a calma, um pouco dos sonhos perdeu ela também. está se fechando dentro do seu quarto mais uma vez. ela conta todos os dias na espera de que eles voem. ela prefere um pouco do passado. um pedaço do passado ela ainda há de lembrar. ela tem um espaço maior na cama agora. falta que não seu deu para recordar. já que ela tem companhia genética toda noite. a casa perdeu alguns antigos hábitos. a casa, poderia eu, chamar de lar. qualquer coisa entre as quatro paredes. o que sustenta essa nossa liberdade? por ela, preciso de calma. não sei como chegamos a estar por aqui. tudo tinha que mudar. e tudo mudou. tudo metricamente mudado. e como não a definição para ausência melhor do que o silêncio do (…). melhor que sejamos unidas. melhor que tenhamos forças. hoje, eu inverti alguns papéis. será eu, menos eu? e como posso afirmar tal resposta? o cheiro mudou, as cores já estão mudando, a forma como os móveis estavam também vão perdendo seus espaços já habituais. é melhor que seja assim. tentamos nos entender por isso mesmo.>
foi a falta da vírgula que me trouxe a dúvida.
<posso tentar ter uma vida normal, às vezes. mas permito a existência de meus anseios. não vou lançar cortinas de moral nesse palco tão pequeno, tão detalhado à iluminação mais precária. faço-me a descobrir a falta de significado que lanço em vida. quando tenho que esquecer que essas mesmas cortinas já estiveram assim tão reservadas, alinhadas, fechando todo o meu palco. não sei quando sou plateia, quando sou a arte que move nossos conceitos. preferível seria encontrar meu encanto em outros palcos. certa vez, me lembro bem, não havia mais ninguém, mas eu sentia uma presença. do outro lado, quem sabe, talvez, um vulto. talvez, ratos. quem sabe, não passará de uma ilusão minha. sensação de que a vida era aquela fração de segundos, a vida justificando-se na própria arte, e a arte sendo vida, nada mais intensa como cores declaradas em tom maior. as luzes treinadas para demarcarem na visão sentimento presente de que ainda permanecemos lá e por quê? já que não sabemos mesmo para onde vamos com essas nossas bagagens. permanecemos aqui. até o ponto que posso transferir toda a sua volta. não haviam roteiros. a única viagem que nos permitimos, foi a viagem do prazer. e de lá, voltamos a ser guiados pela iluminação direcionada. voltamos com os versos mais prontos. voltamos a nos perder outra vez.>
Durmo, cheio de nada, e amanhã
Durmo, cheio de nada, e amanhã
é, em meu coração,
Qualquer coisa sem ser, pública e vã
Dada a um público vão.
O sono! este mistério entre dois dias
Que traz ao que não dorme
À terra que de aqui visões nuas, vazias,
Num outro mundo enorme.
O sono! que cansaço me vem dar
O que não mais me traz
Que uma onda lenta, sempre a ressacar,
Sobre o que a vida faz ?!
Fernando Pessoa
Começo a conhecer-me. Não existo.
Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida …
Sou isso, enfim …
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.
Álvaro de Campos
Ah, perante esta única realidade, que é o mistério,
Perante esta única realidade terrível — a de haver uma realidade,
Perante este horrível ser que é haver ser,
Perante este abismo de existir um abismo,
Este abismo de a existência de tudo ser um abismo,
Ser um abismo por simplesmente ser,
Por poder ser,
Por haver ser!
— Perante isto tudo como tudo o que os homens fazem,
Tudo o que os homens dizem,
Tudo quanto constroem, desfazem ou se constrói ou desfaz através deles,
Se empequena!
Não, não se empequena… se transforma em outra coisa —
Numa só coisa tremenda e negra e impossível,
Urna coisa que está para além dos deuses, de Deus, do Destino
—Aquilo que faz que haja deuses e Deus e Destino,
Aquilo que faz que haja ser para que possa haver seres,
Aquilo que subsiste através de todas as formas,
De todas as vidas, abstratas ou concretas,
Eternas ou contingentes,
Verdadeiras ou falsas!
Aquilo que, quando se abrangeu tudo, ainda ficou fora,
Porque quando se abrangeu tudo não se abrangeu explicar por que é um tudo,
Por que há qualquer coisa, por que há qualquer coisa, por que há qualquer coisa!
Minha inteligência tornou-se um coração cheio de pavor,
E é com minhas idéias que tremo, com a minha consciência de mim,
Com a substância essencial do meu ser abstrato
Que sufoco de incompreensível,
Que me esmago de ultratranscendente,
E deste medo, desta angústia, deste perigo do ultra-ser,
Não se pode fugir, não se pode fugir, não se pode fugir!
Cárcere do Ser, não há libertação de ti?
Cárcere de pensar, não há libertação de ti?
Ah, não, nenhuma — nem morte, nem vida, nem Deus!
Nós, irmãos gêmeos do Destino em ambos existirmos,
Nós, irmãos gêmeos dos Deuses todos, de toda a espécie,
Em sermos o mesmo abismo, em sermos a mesma sombra,
Sombra sejamos, ou sejamos luz, sempre a mesma noite.
Ah, se afronto confiado a vida, a incerteza da sorte,
Sorridente, impensando, a possibilidade quotidiana de todos os males,
Inconsciente o mistério de todas as coisas e de todos os gestos,
Por que não afrontarei sorridente, inconsciente, a Morte?
Ignoro-a? Mas que é que eu não ignoro?
A pena em que pego, a letra que escrevo, o papel em que escrevo,
São mistérios menores que a Morte? Como se tudo é o mesmo mistério?
E eu escrevo, estou escrevendo, por uma necessidade sem nada.
Ah, afronte eu como um bicho a morte que ele não sabe que existe!
Tenho eu a inconsciência profunda de todas as coisas naturais,
Pois, por mais consciência que tenha, tudo é inconsciência,
Salvo o ter criado tudo, e o ter criado tudo ainda é inconsciência,
Porque é preciso existir para se criar tudo,
E existir é ser inconsciente, porque existir é ser possível haver ser,
E ser possível haver ser é maior que todos os Deuses.
Álvaro de Campos
Where do we go from here?
(DOC.) Trailer – Luther Blissett – Cultura nos Extremos de São Paulo
Luther Blissett é a voz do povo. Luther Blissett é poeta. Luther Blissett é manifestação. Luther Blissett é visionário. Luther Blissett é todo mundo. O que é cultura? Luther Blissett encontra o cenáro cultural que nasce nos extremos da cidade de São Paulo.
Direção Geral
Simone Alauk
Reportagem
André Lossio
Roteiro
André Lossio
Alice Furlanetti
Diêgo Queiróz
Cayan Fontoura
Simone Alauk
Direção de Arte
Simone Alauk
Produção
Diêgo Queiróz
Pós-Produção
Cayan Fontoura
Pesquisa
André Lossio
Alice Furlanetti
Diêgo Queiróz
Cayan Fontoura
Simone Alauk
Edição
Vinícius Hirayama




