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Meu desejo foi sempre ter uma faca, um gume  que pudesse à vista minhas vísceras, libertasse meu cérebro, meu coração. Que me libertasse do que tenho aqui dentro, cortasse minha língua e meu sexo. Uma lâmina afiada que raspasse minha impureza. Então aquilo a que chamamos espírito se libertaria deste cadáver sem significado. Spegel. 

deslocamentos.

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Faísca. Luz viva, semelhante a um relâmpago que salta um ruído entre um corpo eletrizado e um corpo condutor de eletricidade. 

Atrito. Força de contato, que atua sempre em que dois corpos entram em choque e há tendência ao movimento. A força do atrito é sempre paralela a interação com a superfície e contrária ao movimento entre eles.

Força. É uma grandeza que tem a capacidade de vencer a inércia de um corpo, modificando a velocidade, causando deformação.

Grandeza. São consideradas grandezas propriedades de um fenômeno, corpo físico ou substância. Podem ser equivalentes e medidos por número, comprimento, quantidade de matéria e energia.

Energia.  Produzida entre dois sistemas físicos em interação. Quando dois sistemas físicos interagem entre si, mudanças nos dois sistemas ocorrem. Embora essas mudanças, podem ser de naturezas muito ou mesmo completamente distintas.

Movimento. É a variação de posição espacial ou ponto material no decorrer do tempo. Aristóteles define o movimento como passagem de potência a ato, diferenciando o movimento como deslocamento no espaço, como mudança ou alteração de uma natureza, como crescimento e diminuição, geração ou destruição.

Como se explica que as mesmas imagens possam entra ao mesmo tempo em dois temas diferentes, um onde cada imagem varia em função dela mesmo e na medida bem definida em que sofre a ação real das imagens vizinhas, o outro onde todas variam em função de uma única, e na medida variável em que elas refletem a ação possível dessa imagem privilegiada? (BERGSON,1999 p.21).

wild.

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minhas mãos são frias. o termômetro corporal pulsando segundo a segundo, o batimento escorrendo em minhas veias. meu sangue pulsa este descontrole desmedido, sem variação de cor.

estou queimando em febre, 40 graus, de um sol morto. radiação queimando a minha pele de bicho, pele com espessura, marcada pela estrada. meus pêlos molhados balançam com o vento.

você tem um ritmo de jazz incorporado, eu estou estralando os dedos e mudando essa música na jukebox, entrou belle & sebastian, your cover’s blown. todos nós do bar, começamos a dançar, ternos roxos, sapatos verdes, pisos de madeira molhado, cerveja espumante.

vou te chamar para dançar. estou repetindo comigo mesmo write down a list of things you want to do. quero fazer esse convite de viagem. não existe formalidade em nosso olhar.

peço licença, corro para o banheiro. quero roubar você para mim. my animal instinct pulsando, estou no controle, tudo sobre o controle. vou saindo do banheiro, com aquela máscara calma e misteriosa, te chamei pra dançar.

cheiro de lugar apertado, a música quebra a nossa distância inicial. peço outras bebidas. todos os amigos rindo de qualquer coisa. a nossa dança é quase uma rima sem sequência.

você ficando desajeitada, roupas amassadas. preciso ir embora daqui, antes que seja tarde de mais. tenho um minuto para não me apaixonar. e não querer fazer sexo com você.

a luz colorida roxa, verde, e depois amarela. não consigo sair, droga. quero continuar a viagem, preciso seguir meus instintos. não preciso me preocupar com isso hoje. mais bebida, a música acaba. não temos mais a dança como desculpa, agora temos que falar. preciso falar alguma coisa.

get me away from here i’m dying, começa outra música. abrimos um sorriso e então não dizemos nada, vamos caminhando para fora. não precisamos dizer nada. não preciso saber o nome dela e nem ela o meu.

a noite com uma lua gigante, rua deserta, minha moto logo lá fora. pessoas fumando na beirada. você coloca sua mão por dentro da minha calça. play me a song to set me free.

não sobra mais nada. nem preciso saber o seu nome. agora preciso ir, here on my own now after hours. ligo minha moto. vou atrás do meu amor. my wild.

trago flores do deserto para você. e meu sorriso de lado, meu olhar pegando fogo. mas eu sei, que com você não é só desejo. eu ainda carrego nossas fotos dentro da carteira. e lembro do dia em que você disse eu te amo.

I always cry at endings.

travel’s mind.

ImagemIndian summer, capache. toureiros desempregados esvaziam seus bolsos, não tenho nada para oferecer, mas tem um cartaz colocado na parede de abertura da art gallery  “vende-se sonho em gaiolas”.

como havia perdido o meu, que há tempos luz está na minha frente, visto toda a dificuldade da real life em manter suas forças diante dele. ele já está viajando a paris, caminhando calmo, comprando livros de filosofia e colecionando artigos científicos sobre botânica.

já em sua totalidade, pode ler o manifesto surrealista de Breton, dentro da pintura do sonho encontrei uma versão de pixels formando a imagem de Man Ray beijando Marx Ernst, era um quadro gigante dentro de uma sala de estar cheia de gatos de porcelana.

talvez fosse apenas uma sala de visita para os mais íntimos, tiro essa conclusão, da coleção infinita de imagens de bundas sendo penetradas ao delírio surrealista da época. em troca, talvez, seja esse um capítulo perdido de Moebius e inspiração para La Société du Spectacle.

ouça esse som dos estralos do fogo queimando no fogo, gosto desse som.  veja os números do calendário em ordem inversa, sempre bom começar o mês no dia 30 e terminar no dia 1, e os ponteiros, são sete para cada hora, marcando o tempo é atemporal, não existe. Encontrei imãs da geladeira, Camus e Sartre beijando Behaviour. todos nos sabíamos, assim como Morgana amava Lancelot, e não Arthur.

telas gigantes, com imagens projetando textos em seguida, textos enchendo potes de tintas, como em uma engrenagem laboratorial onírica, se tornando imagens puras, imagens que tocam e sente, em uma variação de movimento, profundida, por fim, sentimento e intenção.

Godard havia feito um novo filme, nunca antes revelado, a luta dos lobos famintos, fragmentando fotos 3×4 em uma busca da identidade humana na diferenciação das nuances do comportamento.

tinha até lá, o sofá verde de Bergman, com cheiro de Liv Ulmann e suas recordações do vulcão profundo sensorial berguiano. descalço, comecei a subir as escadas, devagar e em silêncio com medo de encontrar alguém ali.

daquelas vidas todas públicas para minha surpresa, Freud e Jung costurando tricô juntos em uma foto sépia com manchas amareladas na borda. sempre soube dessas influências kantianas pré socráticas.

achei um livro sobre amor, era de Schendel.

Protège-Moi.

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me seduza, ascendi um cigarro. e nem sou blasé, não leio sobre moda e tão pouco a news economic. acredito no modern love de bowie e gosto de chapéus. não em mim, mas em cabeças que terminam com curvas e acentuam o nariz estranho. 

paletós, taxas e fitas métricas (não estou em uma ateliê) é um depósito, entulho de tralhas. quero que você responda uma pergunta, rebel, rebel. você vai vir aqui amanhã a noite? 

estou preparando um poema para você. uma poema que eu vou escrever na sua pele sem roupa. com tinta preta, vou rabiscar frases soltas, quero dizer para o seu corpo, em você, apenas que protège-moi, protect me from what I want! 

abra a janela agora! o mundo que você vê é o mundo que você vai me mostrar. minha palheta de cores está muito cromática, respeitando a temperatura do meu peito que está explodindo dentro de mim mil possibilidades de nós.

me traga uma cerveja, essa noite, eu vou escapar de todos os amigos, de todos os meus compromissos que me tomam horas. abra a janela do carro, sinta o vento entrar, deixe suas roupas largas, rasgue sua agenda essa noite.

desligue o celular. deixe, que eu tiro a roupa. tem um teto de estrelas no meu quarto que ficam acessos quando eu apago a luz. e eu nunca ascendo. quero fingir constelações inteiras. inventar mundos debaixo da cama. viajar dentro de lençóis. 

sentindo o seu corpo, as curvas, o movimento delicado da sua perna. eu quebrei todos os meus Cds de música down until the sadness. quero leveza, baby!

você não vê que estou trapaceando com esses textos, que estou abrindo a janela para gravarem um filme nosso. quero ver a nossa cena, que nem Bernardo Bertolucci imaginou com sua musa. 

cheiro de flor no ar, perdi o sono essa noite. sinto ternura no peito, vírgula na pausa, sinto nosso cheiro misturado. cheiro de hortelã com canela, cheiro de dúvida. minhas intenções não são as melhores com você. 

quero deixar todas as marcas. 

 

 

 

keep coming up with love.

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mudei o meu tom. estou amarelada, gozando com a vida. cansei de levar as coisas no mundo quadriculado, já levei? eles vão casar, vão ter filhos. eu vou viajar, estou berrando vida em orelha alheia que me cruzar.

meu carro em alta velocidade e nem sou eu que estou acelerando. o dia está subindo com força, a mesma força que sobe um alpinista com objetivo. minhas linhas são transversais e não perpendiculares.

sou um animal com todas as patas. quero correr para onde minha vida é o natural. rimo ritmo da sensação de peito fervendo. gritos são de vida condicionada. eu disse adeus. sem, mais nenhuma chance.

preciso encontrar minha manada. só lembro detalhes da caverna e o seu cabelo ‘dead lucky’ penteado de sucesso dos anos 2000. tempo, tempo, tempo, tempo, tempo, tem, po. under. under, pressure.

viram minhas roupas jogadas no chão. estão todos me vendo nua, meus peitos gelados contra o vento. meu cabelo enroscado. minha cara de pressing down sendo aliviada. é o prazer!

a vez, minha vez! como um palavrão sincero de amigo. porra! você mudou! ao meus duvidosos dentes caninos, me impulsionando, comendo carne crua, me melando de sangue cheio de vida.

a vida está dançando comigo, ela está cheia de vida. quem é ela? quero o seu sorriso, seu olhar, seu entusiasmo! quero tudo. quero o sol. a nuvem inteira. aquela fotografia que montamos em paradise town.

meus elementos visuais, under pressure. love. love. love. love. love. ai, ai. respira, respira. para de tirar fotos nuas minhas. para de sorrir olhando no meu olhar. para de jogar charme na areia e construir uma praia inteira.

corra! estou a mais de 290 km/h guiada por mapas manchados de tinta guache. give love, give love, give love, give love, give love. panela de pressão fervendo, apitando, o som da tevê na novela das oito berrando no ouvido da mãe.

me cubra com suas dúvidas e me chame de mal. afinal, eu não presto para brincar de lego. mas gosto de brincar com facas. o perigo! that’s ok. as pessoas nas ruas, elas sim, são cheias de tentações como eu.

todas as libidos dançando o novo funk carioca sensation remix do dj buceta. cortinas fechando ao mesmo tempo. It’s the terror of knowing. o espetáculo está virando performance. teatrologers, logados, curtindo o meu umbigo quadrado.

a senhorinha com óculos grau 3 tecendo a cruzada top 10 da revista ti ti ti ti, personagens da novela, quem é a bicha má? F-E-L-I-X.  Why? Why? Why? Why?

chame pelo meu nome inteiro, que eu vou. marque para o próximo evento dos intelectuais de esquerda marxistas nilistas sofistas da cidade ou o evento apocalíptico dos ecos sustentáveis. consegui minha credencial para entrar na sua vida.

what this world is about?  Watching some good friends screaming let me out! Corra, pegue o ônibus, metrô, trem, venha até a praça protestar comigo. estou pedindo um novo feriado, estou de saco cheio de pessoas de terno e de conversas sobre futebol.

why can’t we give love that one more chance? deixe-me ir! comprei passagem para Taguaratibá. Vamos nos encontrar em serra pelada, estou com a fitinha de Nossa Senhora Aparecida torcida em dois nós. com a rádio na estação de brazilian music, ouvindo correnteza de Djavan.

meu celular tocou. mudei até a imagem de abertura. agora tem uma foto provocando você, and loves dares you to change our way of caring about ourselves.

quero você. this is our last dance.