gramaturas.

que ato sincero é esse de chorar? não entendo. como o descontrole de algumas lágrimas podem nos afetar tanto internamente, mas ao expor um mínimo de fragilidade. já estamos nos negando por inteiro. aos silêncios, e olhares. toques cheios de ternura, docilidade de palavras que estão por vir. mas atrasadas, fogem.

são negadas todas as formas de amor por instantes. são desnecessárias todas as tentativas de dois corpos estáticos. ao seguir todo ritmo da cidade, coditiano como samba de madrugada, quase chorinho.

a mas se fosse jazz. todas essas ruas estariam embaralhadas, esperando por um sinal seu, tão pequeno. abraço esse que só vem por virtualidade. sorriso esse que acaba em avenidas movimentadas. as luzes da cidades estão borradas, choveu.

toda tentativa de acreditar em algo simples, como o cheiro da manhã e um sol. da manhã e o sol, esse dia, espero de mim, a pequena percepção de uma paz. a paz de uma janela que recebe o contorno do sol. paz de estar bem consigo mesmo. mas afinal, quem somos? poeira do cotidiano que passa, todo mundo corre. e o meu relógio já está parado faz tempo.

toda hora, são 7 horas. todo banco, a eternidade. toda sombra, é o tempo. e todo o refrão que quebra no peito, fortalece. amanhã é uma alvorada, projeção necessária, só lembro o verso: meu caminho é de pedra, como posso sonhar? aos olhos turvos, expressão de desejo que se aproxima com calma.

aos olhos turvos, lágrimas de quem sofre por uma vida infeliz. uma vida que não permite mais do que o necessário. uma vida de merda. de tampar os buracos de toda avenida. a avenida que morre na estrada. não há dignidade na morte.

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Meu desejo foi sempre ter uma faca, um gume  que pudesse à vista minhas vísceras, libertasse meu cérebro, meu coração. Que me libertasse do que tenho aqui dentro, cortasse minha língua e meu sexo. Uma lâmina afiada que raspasse minha impureza. Então aquilo a que chamamos espírito se libertaria deste cadáver sem significado. Spegel. 

deslocamentos.

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Faísca. Luz viva, semelhante a um relâmpago que salta um ruído entre um corpo eletrizado e um corpo condutor de eletricidade. 

Atrito. Força de contato, que atua sempre em que dois corpos entram em choque e há tendência ao movimento. A força do atrito é sempre paralela a interação com a superfície e contrária ao movimento entre eles.

Força. É uma grandeza que tem a capacidade de vencer a inércia de um corpo, modificando a velocidade, causando deformação.

Grandeza. São consideradas grandezas propriedades de um fenômeno, corpo físico ou substância. Podem ser equivalentes e medidos por número, comprimento, quantidade de matéria e energia.

Energia.  Produzida entre dois sistemas físicos em interação. Quando dois sistemas físicos interagem entre si, mudanças nos dois sistemas ocorrem. Embora essas mudanças, podem ser de naturezas muito ou mesmo completamente distintas.

Movimento. É a variação de posição espacial ou ponto material no decorrer do tempo. Aristóteles define o movimento como passagem de potência a ato, diferenciando o movimento como deslocamento no espaço, como mudança ou alteração de uma natureza, como crescimento e diminuição, geração ou destruição.

Como se explica que as mesmas imagens possam entra ao mesmo tempo em dois temas diferentes, um onde cada imagem varia em função dela mesmo e na medida bem definida em que sofre a ação real das imagens vizinhas, o outro onde todas variam em função de uma única, e na medida variável em que elas refletem a ação possível dessa imagem privilegiada? (BERGSON,1999 p.21).

wild.

Imagem

minhas mãos são frias. o termômetro corporal pulsando segundo a segundo, o batimento escorrendo em minhas veias. meu sangue pulsa este descontrole desmedido, sem variação de cor.

estou queimando em febre, 40 graus, de um sol morto. radiação queimando a minha pele de bicho, pele com espessura, marcada pela estrada. meus pêlos molhados balançam com o vento.

você tem um ritmo de jazz incorporado, eu estou estralando os dedos e mudando essa música na jukebox, entrou belle & sebastian, your cover’s blown. todos nós do bar, começamos a dançar, ternos roxos, sapatos verdes, pisos de madeira molhado, cerveja espumante.

vou te chamar para dançar. estou repetindo comigo mesmo write down a list of things you want to do. quero fazer esse convite de viagem. não existe formalidade em nosso olhar.

peço licença, corro para o banheiro. quero roubar você para mim. my animal instinct pulsando, estou no controle, tudo sobre o controle. vou saindo do banheiro, com aquela máscara calma e misteriosa, te chamei pra dançar.

cheiro de lugar apertado, a música quebra a nossa distância inicial. peço outras bebidas. todos os amigos rindo de qualquer coisa. a nossa dança é quase uma rima sem sequência.

você ficando desajeitada, roupas amassadas. preciso ir embora daqui, antes que seja tarde de mais. tenho um minuto para não me apaixonar. e não querer fazer sexo com você.

a luz colorida roxa, verde, e depois amarela. não consigo sair, droga. quero continuar a viagem, preciso seguir meus instintos. não preciso me preocupar com isso hoje. mais bebida, a música acaba. não temos mais a dança como desculpa, agora temos que falar. preciso falar alguma coisa.

get me away from here i’m dying, começa outra música. abrimos um sorriso e então não dizemos nada, vamos caminhando para fora. não precisamos dizer nada. não preciso saber o nome dela e nem ela o meu.

a noite com uma lua gigante, rua deserta, minha moto logo lá fora. pessoas fumando na beirada. você coloca sua mão por dentro da minha calça. play me a song to set me free.

não sobra mais nada. nem preciso saber o seu nome. agora preciso ir, here on my own now after hours. ligo minha moto. vou atrás do meu amor. my wild.

trago flores do deserto para você. e meu sorriso de lado, meu olhar pegando fogo. mas eu sei, que com você não é só desejo. eu ainda carrego nossas fotos dentro da carteira. e lembro do dia em que você disse eu te amo.

I always cry at endings.

travel’s mind.

ImagemIndian summer, capache. toureiros desempregados esvaziam seus bolsos, não tenho nada para oferecer, mas tem um cartaz colocado na parede de abertura da art gallery  “vende-se sonho em gaiolas”.

como havia perdido o meu, que há tempos luz está na minha frente, visto toda a dificuldade da real life em manter suas forças diante dele. ele já está viajando a paris, caminhando calmo, comprando livros de filosofia e colecionando artigos científicos sobre botânica.

já em sua totalidade, pode ler o manifesto surrealista de Breton, dentro da pintura do sonho encontrei uma versão de pixels formando a imagem de Man Ray beijando Marx Ernst, era um quadro gigante dentro de uma sala de estar cheia de gatos de porcelana.

talvez fosse apenas uma sala de visita para os mais íntimos, tiro essa conclusão, da coleção infinita de imagens de bundas sendo penetradas ao delírio surrealista da época. em troca, talvez, seja esse um capítulo perdido de Moebius e inspiração para La Société du Spectacle.

ouça esse som dos estralos do fogo queimando no fogo, gosto desse som.  veja os números do calendário em ordem inversa, sempre bom começar o mês no dia 30 e terminar no dia 1, e os ponteiros, são sete para cada hora, marcando o tempo é atemporal, não existe. Encontrei imãs da geladeira, Camus e Sartre beijando Behaviour. todos nos sabíamos, assim como Morgana amava Lancelot, e não Arthur.

telas gigantes, com imagens projetando textos em seguida, textos enchendo potes de tintas, como em uma engrenagem laboratorial onírica, se tornando imagens puras, imagens que tocam e sente, em uma variação de movimento, profundida, por fim, sentimento e intenção.

Godard havia feito um novo filme, nunca antes revelado, a luta dos lobos famintos, fragmentando fotos 3×4 em uma busca da identidade humana na diferenciação das nuances do comportamento.

tinha até lá, o sofá verde de Bergman, com cheiro de Liv Ulmann e suas recordações do vulcão profundo sensorial berguiano. descalço, comecei a subir as escadas, devagar e em silêncio com medo de encontrar alguém ali.

daquelas vidas todas públicas para minha surpresa, Freud e Jung costurando tricô juntos em uma foto sépia com manchas amareladas na borda. sempre soube dessas influências kantianas pré socráticas.

achei um livro sobre amor, era de Schendel.